Se o paraíso existe, finalmente o encontrei.
http://www.youtube.com/watch?v=MIDOEsQL7lA
domingo, 27 de outubro de 2013
domingo, 22 de setembro de 2013
Ela era ela...
Era a primeira vez que eu a via daquele jeito. Sentada, de costas para a parede, com as mãos tocando os joelhos. Seus olhos da cor da Baía da Guanabara procuravam algo enquanto vislumbrava o meu corpo; não, ela não queria nada comigo naquele pequeno instante. A minha aceitação talvez fosse importante para o que ela desejava fazer.
"Seda", ela dizia de forma quase intuitiva. Finalmente, ela achou um pedaço de uma - tão branca como a cor de sua pele.
E eis que começava o seu ofício; seu trabalho era semelhante a de um artesão ao se deliciar com um novo tecido. Esticava-o. Amassava-o. Sentia-o. Olhava para ele e para mim. Ela precisava se decidir. Agora, procurava o seu pequeno embrulho. Era a pedra. O beck. A Marijuana. A vez de fumar um. A minha angústia. O pó se esfarelava em seus longos e agitados dedos. Eu sentia medo e sequer esboçava reações. A minha falta de ar a preocupava. A solução era ela deixar o próprio quarto e ir para o escritório. A minha posição continuava a mesma desde o início: deitada, quase recostada na cama, com os braços ainda cruzados. Impotente e ainda infantil. Enquanto ela se balançava na rede, eu ia pensar na vida.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Ana
O nome dela é Ana*. Somos
amigas há 11 anos. Nos conhecemos de uma forma peculiar, mas memorável. Ana é
inteligente, doce, com opiniões sempre bem formadas. Ela gosta de música,
literatura e viajar. Este último interesse inclui um lazer diferente: aprender
idiomas. Inglês, alemão, russo e...francês estão na sua lista. Da última vez em
que nos falamos, minha estimada Ana estava em Lille, uma bela cidadezinha ao
norte da França vivendo um grande amor.
Nossos laços começaram com a
presença da Cin e da Garota de Ipanema; não, não foi nas areias de uma das
praias mais famosas do mundo. Foi a internet quem bateu as nossas portas. Era
uma tarde típica de outono, no início do mês de abril. Após fazer os deveres de
casa, entrei em um bate-papo virtual pela primeira vez na vida com o apelido de
Cin – prefixo do meu nome e, conheci a Garota de Ipanema, apelido usado por
Ana. Conversamos por horas a fio. Nós
duas e um moço que tinha por volta de 40 anos. Infelizmente não me recordo o
nome dele. Depois de um curto espaço de tempo, cerca de duas semanas, ele
desapareceu sem deixar rastros no chat. Nossas conversas foram transferidas para e-mails, Messenger e,
claro, os chats continuavam. Depois de quatro ou cinco meses, minha nova amiga
teve uma ideia: nos correspondermos por cartas, o que ainda acontece até hoje,
mas com menos frequência. Recebi a ideia com muito ânimo, afinal de contas,
escrever sempre foi uma das atividades que sempre exerci. Ana enviou a
primeira. Eram inúmeras folhas (meu recorde foram 7 ou 9), adesivos, pequenas
lembranças, presentes de aniversário e disquetes (já não existem mais). Lembro
perfeitamente como foi o momento em que recebi a primeira correspondência:
cheguei em casa e meu pai sorrindo disse: “carta para você!” Corri
imediatamente para o meu quarto e li com voracidade. O meu cansaço não permitiu
que eu respondesse imediatamente. Minha resposta surgiu no dia seguinte em
plena aula de geometria, que nunca foi útil, é claro. O único retângulo que
atraía a minha atenção era a folha A4 do meu caderno.
Ana é paulista, mora em
Curitiba, mas sempre mostrou uma grande atração pelo Rio de Janeiro. Mesmo que
eu juntasse todas as amizades de meu colégio, elas não exerceriam uma comoção
em mim como a verdadeira amizade de Ana. Nossos gostos e maturidades se uniram
de uma forma imediata. Depois de cerca de vinte cartas enviadas e recebidas e
três anos de amizade, nos conhecemos. O nosso encontro foi inusitado, como tudo
que estava ao nosso redor. Ele ocorreu em meu colégio no final do semestre. Ana
tinha vindo ao Rio acompanhada de Elaine, sua mãe. Elaine estava a trabalho na
cidade por alguns poucos dias e Ana aproveitou para passear. Ela precisava voltar logo a Curitiba, antes mesmo da mãe, mas antes teve mais uma fantástica
ideia: fugir do aeroporto escondida da mãe e ir me ver no colégio. Até então,
nossos pais não sabiam muito bem sobre a nossa amizade. Imagina como iriamos
explicar tudo... Ela chegou de táxi na minha escola no meio de uma aula de
história (que também não estava interessante). O inspetor interrompeu a aula da
minha turma para chamar meu nome em voz bem alta e avisar que minha amiga estava lá embaixo. Desci as escadas e tudo que havíamos
conversado por horas e papéis passaram em minha cabeça como um flash cinematográfico.
Estávamos tímidas, mas trocamos o melhor abraço do mundo. “Fugi” do colégio
para levá-la ao aeroporto. Havia trânsito. As favelas mais perigosas do Rio,
naquela época, que cruzavam o caminho até o aeroporto eram lindas para Ana. A
mãe dela poderia descobrir. A minha, idem. Era um risco. Uma das aventuras mais
gostosas de minha vida. Tudo deu certo no final e aquele último abraço
(literalmente) fez com que “Samba do avião”, clássico Jobineano, que ela me
apresentara há meses, ressoasse em minha cabeça. Voltei para a casa de minha avó feliz
(até esse momento infantil não existe mais); o refrão “Veja o Rio de Janeiro,
estou morrendo de saudade...” nunca mais saiu de minha recordação.
Nossas cartas continuaram.
Nossas vidas se tornaram mais coloridas. Sorrimos, choramos, tivemos viagens,
amores, doenças, vidas amadas que se foram...
Tudo em nós continua igual, ou
quase. Nossas almas “continuam cantando”, seja no Rio, São Paulo, Curitiba ou
na França.
*nome fictício dado pela
própria
quinta-feira, 18 de julho de 2013
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/07/jovem-agredido-em-casamento-no-rio-e-detido-com-maconha-diz-policia.html
Não é a primeira vez que uma vítima se torna "culpada" por alguma coisa logo depois do incidente que a fragilizou. É tanta merda que dá até nojo de comentar.
Primeiramente, o cara é atingido por um cinzeiro (algo incomum diga-se de passagem) por um moleque de 18 anos, sobrinho de um dos homens mais ricos do Rio de Janeiro em uma manifestação PACÍFICA até aquele momento. Como se não bastasse, o jovem de 24 anos tenta desesperado entrar no Copacabana Palace para receber atendimento e NÃO CONSEGUE, é claro.
Curiosamente, 3 DIAS DEPOIS ele é abordado por policiais em Santa Teresa. Ou seja, ou desconfiavam do cara por algum "motivo" ou, claro, sabiam quem ele era e buscavam algo que o condenasse. Bingo! Os policiais "acertaram" e encontraram maconha na mochila dele (pequena quantidade, vale lembrar). Eu não uso maconha e não sou a favor de tornar a droga legal, como o álcool e o tabaco, que por sinal matam muito mais. No entanto, sabemos que a maconha não se compara a outras drogas lícitas (como as já citadas) e as ilícitas e não traz malefícios a saúde. Independente dele ser a vítima de tudo que aconteceu no sábado, ele seria detido por essa polícia incrível que nós temos. Claro, ele é pobre e foi abordado em Santa Teresa. Sabemos também que se foi encontrada pouca quantidade era para uso próprio. O mais curioso ainda é que o cara é detido no mesmo dia que o tal Daniel Barata é intimado para depor. Pegou mal, hein.
Não é a primeira vez que uma vítima se torna "culpada" por alguma coisa logo depois do incidente que a fragilizou. É tanta merda que dá até nojo de comentar.
Primeiramente, o cara é atingido por um cinzeiro (algo incomum diga-se de passagem) por um moleque de 18 anos, sobrinho de um dos homens mais ricos do Rio de Janeiro em uma manifestação PACÍFICA até aquele momento. Como se não bastasse, o jovem de 24 anos tenta desesperado entrar no Copacabana Palace para receber atendimento e NÃO CONSEGUE, é claro.
Curiosamente, 3 DIAS DEPOIS ele é abordado por policiais em Santa Teresa. Ou seja, ou desconfiavam do cara por algum "motivo" ou, claro, sabiam quem ele era e buscavam algo que o condenasse. Bingo! Os policiais "acertaram" e encontraram maconha na mochila dele (pequena quantidade, vale lembrar). Eu não uso maconha e não sou a favor de tornar a droga legal, como o álcool e o tabaco, que por sinal matam muito mais. No entanto, sabemos que a maconha não se compara a outras drogas lícitas (como as já citadas) e as ilícitas e não traz malefícios a saúde. Independente dele ser a vítima de tudo que aconteceu no sábado, ele seria detido por essa polícia incrível que nós temos. Claro, ele é pobre e foi abordado em Santa Teresa. Sabemos também que se foi encontrada pouca quantidade era para uso próprio. O mais curioso ainda é que o cara é detido no mesmo dia que o tal Daniel Barata é intimado para depor. Pegou mal, hein.
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Para Carol, que neste momento está em Israel.
"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio, danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim."
Carlos Drummond de Andrade
"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio, danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim."
Carlos Drummond de Andrade
domingo, 6 de janeiro de 2013
A multidão aproximava-se. Naquela
noite, Copacabana era a menina dos olhos, - adorada como toda filha no coração
de um pai.
Na areia, crianças inquietas a espera
de uma grande novidade; mães extremamente preparadas levavam consigo bebidas e
comidas e, por fim, maridos carregavam inúmeras cadeiras. Todos sabiam da
importância desse simples objeto nesta noite.
Na calçada da Avenida Atlântica,
próximo à esquina da Rua Santa Clara, todos contavam juntos os minutos e,
posteriormente, os segundos para a chegada do “novo ano”. Neste minuto, era
como se toda aquela multidão tão diversificada estivesse concentrada pela
primeira vez na vida na mesma coisa.
Casais trocam o primeiro beijo do
ano e crianças sorriem ao detalhar os desenhos que se formam nos fogos lá no
céu. Os assuntos são os mesmos: muita felicidade, dinheiro, saúde e paz...muita
paz.
______________________________________________________________
Nos últimos 30 anos, a violência
no Brasil matou mais de um milhão de pessoas. Em 2010, na cidade de São Paulo,
por exemplo, foram mortas 50 mil pessoas, ou seja, 137 por dia. Este índice
revela que o Brasil é mais violento do que o Oriente Médio. Segundo dados
recentes da ONU, 60 mil pessoas morreram em 2012 na Síria.
Os brasileiros se orgulham de que
o país nunca está envolvido em guerra e que não costuma sofrer grandes
desastres naturais. As chuvas nos últimos três anos e o despreparo para
enfrentá-las tem destruído o país que supostamente é abençoado por Deus.
Reflita.
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Já era capaz, quando menino, de enxergar no rosto delas a sorte que traziam. Sabia estudar os arcos, os traços, toda a matemática que poderia intrigar até os mais capazes alemães.
Quando se despedia delas, cantava livre pelas calçadas, cheirava as flores suburbanas e esperava pelas estrelas.
Amava as mulheres maduras, pouco do seu sangue é Balzaquiano. Sorria para as brasileiras. Esperava as estrangeiras e rezava constantemente pelas mais jovens.
Era inconstante, jamais planejou casamentos e filhos. Não desejava estender a maldição de seu sobrenome.
Pensava ele:
"Para que ter uma casa se posso ter o olho da rua?"
Quando se despedia delas, cantava livre pelas calçadas, cheirava as flores suburbanas e esperava pelas estrelas.
Amava as mulheres maduras, pouco do seu sangue é Balzaquiano. Sorria para as brasileiras. Esperava as estrangeiras e rezava constantemente pelas mais jovens.
Era inconstante, jamais planejou casamentos e filhos. Não desejava estender a maldição de seu sobrenome.
Pensava ele:
"Para que ter uma casa se posso ter o olho da rua?"
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