domingo, 22 de setembro de 2013

Ela era ela...

Era a primeira vez que eu a via daquele jeito. Sentada, de costas para a parede, com as mãos tocando os joelhos. Seus olhos da cor da Baía da Guanabara procuravam algo enquanto vislumbrava o meu corpo; não, ela não queria nada comigo naquele pequeno instante. A minha aceitação talvez fosse importante para o que ela desejava fazer.

"Seda", ela dizia de forma quase intuitiva. Finalmente, ela achou um pedaço de uma - tão branca como a cor de sua pele.
E eis que começava o seu ofício; seu trabalho era semelhante a de um artesão ao se deliciar com um novo tecido. Esticava-o. Amassava-o. Sentia-o. Olhava para ele e para mim. Ela precisava se decidir. Agora, procurava o seu pequeno embrulho. Era a pedra. O beck. A Marijuana. A vez de fumar um. A minha angústia. O pó se esfarelava em seus longos e agitados dedos. Eu sentia medo e sequer esboçava reações. A minha falta de ar a preocupava. A solução era ela deixar o próprio quarto e ir para o escritório. A minha posição continuava a mesma desde o início: deitada, quase recostada na cama, com os braços ainda cruzados. Impotente e ainda infantil. Enquanto ela se balançava na rede, eu ia pensar na vida.

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